0125. Michael Jackson | Leave Me Alone

Michael Jackson deve ter sofrido todas as pressões possíveis ao voltar aos estúdios com a árdua missão de superar o disco mais vendido de todos os tempos – Thriller.

Com a produção de Quincy Jones e apostando em uma sonoridade completamente distante do trabalho anterior, Bad se tornou um grande sucesso e elevou a carreira do artista a estratosferas inimagináveis. Infelizmente a partir daí, Jackson começava a ser visto não mais como o “rei do pop” e sim como uma celebridade extravagante.

“Leave Me Alone” mostra o inicio da paranóia por trás da fachada dessa megaestrela, assim como um pedido ao mundo para o deixar em paz, pedido este que seria ouvido muitas vezes durante toda sua carreira. O fato de aparecer “branco” na capa do disco foi o inicio de toda a avalanche de esquisitices apontadas para MJ que os tablóides faziam questão de explorar ao máximo, como se fossem um parque de diversões.

O videoclipe de “Leave” é um desabafo comovente de alguém que estava apenas tentando ser diferente (em todos os aspectos). Mesmo que muitas das acusações sejam falsas, a mídia se divertia em construir a imagem de “alienígena” que MJ odiava.

Dirigido por Jim Blashfield e ganhador do Grammy de melhor videoclipe em 1990, o vídeo retrata a carreira bem sucedida de Michael fazendo alusão a um parque de diversões. Durante o vídeo, manchetes de jornais espalham boatos que ele teria comprado os ossos do Homem Elefante e que ele dormiria em uma câmera hiperbárica para retardar o envelhecimento entre outros. A letra da música traz fortes críticas ao modo como os tablóides expõem sua vida e seu poder de influência e pede que os mesmos o deixe em paz.  No final, Michael destrói o parque construído em torno de si.

Gondry, certa vez falou que este era um dos seus videoclipes favoritos e não é difícil adivinhar o porquê. Repleto de imagens e animações criativas que explodem de diversão, o vídeo é muito interessante por misturar animação e caracterização humana e animal de uma forma muito criativa que mesmo passados mais de 20 anos, continua parecendo tecnicamente perfeita. O resultado – deliciosamente surreal –  ainda impressiona e mostra o inicio da perturbada vida de um dos artistas mais controversos de todos os tempos e mais amados também.

Diretor: Jim Blashfield | Ano: 1987

"Nunca estou satisfeito com nada. Sou um perfeccionista. É parte de mim"

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0124. Aphex Twin | Come To Daddy

"Minha música é a minha música favorita"

A música de Aphex Twin, nome artístico de Richard David James, sempre apresentou inovações criativas, foi um dos pioneiros no uso de softwares para compor música e não só marcou sua obra pelo apelo técnico típico do gênero eletrônico, mas também se destacou pelas belas melodias que estruturam suas composições. Qualquer raver que se valha deve ter pelo menos um exemplar de algum disco do Twin na sua coleção, pois sua música fascinante de sintetizadores é uma das coisas mais bacanas já feitas nas últimas décadas.

Um dos melhores momentos do Aphex Twin foi o revolucionário videoclipe para “Come To Daddy”, uma alucinante viagem selvagem e perturbadora inspirada nos momentos mais assustadores da filmografia de Stanley Kubrick.

Seguindo a mesma veia de inspiração de “All Is Full Of Love” da islandesa Bjork, Chris Cunningham nos presenteia com uma pulsante enxurrada de originalidade retumbante em um trabalho aclamado por público e crítica e eleito pelo site Pitchfork o melhor da década de 90.

O vídeo da música (lançado em outubro de 1997) foi filmado na mesma propriedade onde Stanley Kubrick filmou muitas cenas de A Laranja Mecânica. O vídeo começa com uma senhora passeando com seu cachorro em um ambiente industrial sujo. O cão urina em uma televisão abandonada na calçada, fazendo com que ela inesperadamente crie vida, desencadeando um espírito maligno, acompanhado por uma gangue de crianças pequenas, todas com rostos sorridentes, mas macabros e que parecem habitar os prédios abandonados. As crianças seguem causando estragos, destruindo um beco e perseguindo um homem em seu carro. O demônio (interpretado por Al Stokes) emerge da televisão, grita no rosto da mulher (um grito macabro e de gelar o sangue!) e em seguida, reúne os filhos em torno dele.

O videoclipe é sombrio, angustiante e claustrofóbico. Cunningham demonstra seu domínio da arte, criando uma atmosfera de grande tensão. Ao escolher cuidadosamente seus ângulos e ritmos de filmagem, induz o pânico em suas platéias e com toda a sua genialidade, Cunningham transcende o formato audiovisual pela excelência de sua composição visual, comparando a grandes filmes de terror de todos os tempos como O Iluminado, de Stanley Kubrick.

Apesar de ser diferente de tudo que já foi feito anteriormente e posteriormente, é acessível, hipnótico, sedutor e muito adequado ao formato audiovisual daquela época. Absolutamente, uma obra-prima!

Diretor: Chris Cunningham | Ano: 1997

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0123. Massive Attack | Unfinished Sympathy

Um dos primeiros vídeos gravados sem cortes, na qual a vocalista do Massive Attack, Shara Nelson, canta para a câmera que a acompanha pelas ruas de um bairro violento de Los Angeles. Nada de especial acontece a não ser a grande capacidade de Baillie Walsh de carregar a música nas costas da cantora enquanto ela carrega o vídeo perfeitamente.

Mesmo que pareça excessivamente banal, a música é revolucionária e deliciosa de se ouvir. Os lugares são tão interessantes que mostram um lado oculto de LA, o subúrbio e a pobreza que se esconde por trás dos holofotes de uma das cidades mais amadas e conhecidas do mundo. Os membros do MA (Robert Del Naja, Grant Marshall e Andrew Vowles) aparecem no vídeo em curtas aparições.

Tudo isso faz com que este trabalho se torne especial. O Massive Attack foi responsável por uma revolução na música mundial, iniciando um movimento que duraria toda a década de 90. Centrado na fusão entre o hip-hop com um andamento mais lento quase lounge que levaria ao surgimento de bandas como Morcheeba e Groove Armada. A obra-prima máxima do estilo está em Blue Lines, a estréia do Massive Attack de 1991, que trouxe entre outras pérolas, esta maravilhosa canção apoiada em lindos arranjos de cordas e a belíssima voz de Shara, um dos hits mais significantes daquela década.

Este clipe ajudou a converter “Unfinished” em um clássico imediato.

Diretor: Baillie Walsh | Ano: 1993

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0122. Herbie Hancock | Rockit

Este videoclipe, dirigido por Godley & Creme e apresentando robôs e manequins dançando o Break Music desconcertante do gênio do jazz-funk Herbie Hancock estava à frente de qualquer bizarrice que pudesse existir na época. E isto não é algo ruim, a criatividade presente neste trabalho esteve apenas a um passo de se tornar definitivamente o melhor videoclip dos anos 80, mas eis que surge o fenômeno “Thriller” de MJ, “Sledgehammer” de Peter Gabriel e “Take On Me” do A-ha para reinvidicarem o papel e com razão.

O vídeo da música apresentando vários robôs-manequins como esculturas móveis (por Jim Whiting) dançando nos embalos da música em uma “casa virtual” em Londres recebeu cinco MTV video Music Awards em 1984, incluindo Melhor Vídeo Conceitual e Melhores Efeitos Especiais. Sua edição e montagem são únicas somadas às novas técnicas nunca vistas em um vídeo musical até então. Hancock aparece e toca teclado apenas em uma imagem em preto-e-branco em uma televisão, que é destruída na calçada em frente à porta da casa no finalzinho do videoclipe.

Tão bizarro quanto macabro. Os movimentos mecanizados delicadamente grotescos dos manequins são ótimos e a edição caprichada é tão cheia de cortadas que está em total sincronia com o ritmo da música. A dupla (Godley & Creme) mais uma vez surpreende com originalidade e competência de extrema eficácia e bom gosto.

Esse videoclipe é um dos mais fundamentais de todos os tempos.

Diretores: Godley & Creme | Ano: 1983

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0121. Elvis Costello and the Attractions | Accidents Will Happen

Armed Forces, de Elvis Costello era muito moderno para a época e o videoclipe para um de seus singles, “Accidents Will Happen”, possuía elementos de computação gráfica muito avançados para o seu tempo. O álbum ficou em segundo lugar nas paradas de 1979 e alavancou a carreira desse fabuloso cantor e compositor londrino de talento inquestionável e qualidades instigantes.

“Accidents” é uma viagem audiovisual deslumbrante. Era algo completamente diferente do que havia disponível em termos de computação gráfica para o formato, alias, naquela época, não havia ainda o conceito de videoclipe que só viria a surgir dois anos mais tarde com “Video Killed the Radio Star” do The Buggles (o primeiro videoclip exibido pela MTV norte americana)  e o formato não tinha muito menos adquirido o respeito e prestigio que só o fabuloso “Thriller”, de MJ poderia trazer. Por isso era de se estranhar o investimento artístico e financeiro para um trabalho que antes era considerado apenas truque publicitário de música barato e descartável.

Os desenhos muito bem elaborados representavam imagens de Costello a própria banda The Attractions tocando seus instrumentos e rápidos flashes de supostos acidentes acontecendo de variadas formas que sugerem um alerta aos perigos de acidentes domésticos. As imagens são capazes de transmitir leveza sem soar bobo e o estilo gráfico, por incrível que parece, era inédito, como se Jankel e Morton tivessem criado o estilo visual dos anos 80. muitas das formas gráficas apresentadas foram imitadas em cartões e camisetas anos 80 afora.  A impressão que passa é que esse videoclipe foi o resultado de um acidente e que acidente feliz!

Vencedor de alguns prêmios e dirigido pela dupla Annabel Jankel e Rocky Morton, inovou na linguagem audivisual e foi um dos primeiros videoclips totalmente em animação gráfica. O trabalho possui uma estética singular e as cenas foram desenhadas para explodir com energia e inventividade que só o próprio Costello poderia oferecer.  Em 2003, ele foi incluído no museu de arte moderna de NY como um dos 35 videoclipes da era de ouro.

“Accidents Will Happen” é apenas a primeira faixa de um dos melhores trabalhos de Elvis Costello. Armed Forces foi o responsável por sua infiltração no Mainstream e suas músicas são um desfile de preciosidades.

Diretores: Annabel Jankel e Rocky Morton | Ano: 1979

Elvis Costello e os Attractions em 1979

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Os números de 2011

Obrigado à todos que visitaram meu blog e contribuíram para esta estatística! agradeço à todos pelo carinho e atenção! de coração. Foram mais de 52 mil visitas em 2011 e até agora 59, 250 visitas no total.

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 52.000 times in 2011. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 19 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

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0120. The Smiths | The Queen Is Dead: A Film By Derek Jarman

Os Smiths apostaram em lirismo e melodias bem estruturadas para desbravar o circuito independente e produziram, talvez, o melhor som da década de 80. “The Queen is dead”, lançado em 1986, é a obra prima definitiva do rock inglês dos anos 80 e um dos discos mais belos e ricos em importância e influencia.

Não houve videoclipes para o álbum, mas sim um curta dirigido por Derek Jarman (42-94), importante nome do cinema e responsável por alguns videoclipes do Pet Shop Boys e também diretor do maravilhoso Caravaggio (1986). “The Queen is Dead” foi a faixa escolhida juntamente com “There´s a Light That Never Goes Out” e “Panic”.

O filme é estruturado em torno das três canções, cada música possui um roteiro um pouco diferente como se fossem três filmes diferentes ao invés de um conjunto harmonioso. O filme abre com a frenética e agitada “The Queen Is Dead”, com as imagens evocando uma visão simbólica da Inglaterra se desintegrando à altura do seu título. Em imagens que se movimentam rapidamente, capuzes, slogans, tinta spray em muros de pedra em ruínas, fogo em forma de cometa por toda a tela mostram a mensagem de uma Londres em caos de uma forma intensa e perturbadora.  Um jovem com asas de anjo parece estar sofrendo de dor, e coroas de jóias flutuam entre essas sobreprojeções de imagens que são a base do vídeo que está impiedosamente de acordo com o pulso firme da música que o acompanha.

Jarman utiliza-se das imagens simples e icônicas, repetindo-as insistentemente como se quisesse impor uma mensagem misteriosa em forma codificada: pétalas de flores, o rosto de uma menina, um violão girando, prédios abandonados. Só no final é que a estrutura repetitiva começa a quebrar, abrindo espaço para uma menina com cabelos cortados brincando em um pátio rodeado por edifícios abandonados, lançando uma bandeira britânica no vento. O ritmo das cenas diminui um pouco e ainda há abstrações, mas o efeito deste ligeiro abrandamento é exagerado pela densidade e velocidade do filme. Esses poucos momentos de relaxamento relativo se tornam impressionantes no contexto geral.

As sequências de “There´s a Light” e “Panic” não possuem elementos fortes e passam quase que despercebidas. O real impacto do vídeo está mesmo em “The Queen Is Dead” que apresenta características um pouco incomuns para o formato, mas que possuem elementos intrínsecos a sua filmografia, como a obra-prima Caravaggio (1986), que retrata extraordinariamente a vida e obra de Michelangelo Caravaggio (1571-1610), um dos maiores nomes da arte renascentista.

Derek Jarman

Derek Jarman morreu em 1994, decorrente de AIDS e deixou um legado impressionante. Sua filmografia é um desfile de preciosidades e culmina no expressivo Blue (1994), um filme completamente incomum. Como diretor de videoclips, é notável sua capacidade de produzir pequenas obras-primas como esta.

Jarman foi um diretor único, autentico inesquecível e moderno.

Diretor: Derek Jarman | Ano: 1986

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0119. Morrissey | Interesting Drug

Morrissey sempre assumiu uma postura vegetariana ao extremo e mais do que um ídolo, seu comprometimento com a luta pelos direitos dos animais o tornou um homem respeitado e digno de nota.

“Interesting Drug” é uma canção de protesto de Morrissey e seu videoclipe toca na ferida como poucos, mas de uma forma bem humorada.

O roteiro do vídeo tem início nas cinzentas ruas de Londres, intercaladas com cenas de Morrissey, Rourke Andy, Mike Joyce e Craig Gannon no Wolverhampton concert em 1988 . Uma mulher (Diana Alton) protesta contra maus tratos de animais e é ridicularizada por um grupo de jovens universitários. A partir daí, ela toma uma posição diferente e convida os rapazes a segui – lá para protestarem juntos em frente a um outdoor com os dizeres: “É preciso até 40 animais irracionais para fazer um casaco de pele e apenas um para usá-lo”. De repente, aparece Moz com cartazes denunciando os maus tratos aos animais e distribuindo a todos. No clímax do clipe, a trupe invade um laboratório que usa coelhos para experimentos e os liberta; tornando o gesto um símbolo de protesto e rebeldia.

Motivado por uma conduta extremamente ativista, Morrissey despeja toda sua ira para as grandes indústrias que utilizam do sofrimento dos animais para lucrar. Sua ferrenha postura é uma constatação do quão importante é a capacidade de influencia midiática. A cena do filhote de foca sangrando após ter tido sua pele arrancada ainda vivo é um verdadeiro choque, mas ao mesmo tempo inspira as pessoas a conscientização.

E morrissey como pessoa, como compositor de belíssimas canções ou como ser humano desalienado da realidade do mundo é um artista brilhante de atitudes verdadeiramente inspiradoras.

Diretor: Tim Broad | Ano: 1989

"Da mesma forma que o público pode ser inspirado, também pode bocejar diante de mais uma música defendendo mais uma causa."

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0118. Tori Amos | A Sorta Fairytale

Uma das maiores crueldades que possa acontecer a uma mulher é o estupro. Para Tori Amos – descendente de uma mãe em parte Cherokee, que se tornou uma cantora fabulosa com o lançamento do disco Little Earthquakes, em 1992 – a experiência infeliz serviu de inspiração para compor canções belíssimas de honestidade lírica e musical comparadas a cantoras importantes como Joni Mitchel e Laura Nyro. A sua beleza encantadora apenas contribuiu para o sucesso Cult e hoje Amos é uma das cantoras surgidas no inicio dos anos 90 que possui uma das vozes mais ricas e corajosas de sua época, ganhando uma legião de seguidores.

Em 2002, um pouco reclusa dos holofotes, amos lança um belíssimo registro musical chamado Scarlet´s Walk, um álbum conceitual que narra as viagens de Scarlet, baseada em experiências próprias e também apresenta uma visão pós 11 de setembro. O disco foi um sucesso comercial e chegou a ganhar vários discos de ouro. O maior destaque ficou com a expressiva “A Sorta Fairytale”, uma canção construída sobre belíssimos arranjos que acompanhou um videoclip metafórico, que fica entre o apaixonante e o ridículo.

Amos é acompanhada pelo ator Adrien Brody, que acabara de ganhar o Oscar de melhor ator pelo seu desempenho em O Pianista, de Roman Polanski. No vídeo, Tori aparece com a cabeça em cima de uma perna bem torneada e ele com a cabeça em cima de um braço musculoso.

Os dois parecem estar apaixonados, porem, os limites físicos impedem o desenrolar da relação até que espontaneamente, ele ri de seus dedos, causando uma tristeza decepcionante em Amos que foge para uma praia deserta.

Chegando lá e com uma meia no pé, para cobrir o defeito físico, ela é surpreendida com um beijo apaixonante. O ato de beijar desencadeia uma reação física transformadora. Eles então, finalmente se completam, através da realização do amor.

A atuação de Brody não é digna de Oscar e mesmo com toda sua fama, ele se comprometeu com o trabalho tornando-o doce e envolvente. Amos também surpreende na interpretação com sua energia singular capaz de inspirar pessoas.

O conceito do vídeo é um pouco incomum e bizarro e corria o risco de se tornar constrangedor para ambos, porem, a competente direção de Sanji – que optou por priorizar a belíssima fotografia e edição de imagens focando nas expressões faciais e no enredo ágil e delicado – tornou o trabalho uma maravilhosa e forte metáfora do amor.

Diretor: Sanji | Ano: 2002

"Se você me chamar de sonhadora ou hippie largada new-age, te corto o pênis"

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0117. Radiohead | Street Spirit (Fade Out)

O som do Radiohead em 1995 ainda era simplista e até mesmo comercial: The Bends possuía hits radiofônicos que de tanto tocar nas rádios, quase sufocou a genialidade do disco. Livres da imagem de hit-wonders – possivelmente, devido ao estrondoso sucesso de “Creep” – o Radiohead se tornou com este trabalho, um nome respeitado no cenário musical dos anos 90 e hoje é uma das bandas mais influentes do chamado pós-rock.

Em 1996, a última faixa de The Bends ganhou um videoclipe dirigido por Jonathan Glazer que, visualmente falando é confuso, mas é justamente onde se encontra a sua beleza.

Glazer construiu um punhado de imagens provocantes e magnéticas que tinham uma identidade própria. Uma linguagem única reverberada por uma canção poderosa e intrigante. Ali se encontrava o melhor do Radiohead e uma amostra de sua inteligência para compor canções claustrofóbicas e implorantes, de melodias suaves e pesadas ao mesmo tempo. Sem dúvida alguma, uma das melhores interpretações de Thom Yorke.

A competente direção ajudou a transformar “Street Spirit” em um clássico. O ponto máximo está no equilíbrio perfeito entre a velocidade dos movimentos dos indivíduos e o conjunto memorável de imagens contemporâneas e a competente fotografia. O ótimo close de Thom Yorke fechando os olhos é inesquecível. Os dançarinos são um show à parte, principalmente no salto sincronizado como se fosse um bando de pássaros decolando ao mesmo tempo. A escolha de filmar em preto e branco deu um toque noir ao vídeo que ganhou um verniz abstrato, acrescentando um tom poético ou até mesmo prosaico.

Depois de assistir ao videoclipe uma coisa é certa: é impossível não concordar entre abismado e admirado.

Diretor: Jonathan Glazer | Ano: 1996

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